Arquivo para a categoria 'Cinema'

Chanel et Stravinsky

23 / 08 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema, Moda, Mulheres, Músicas

Stravinsky e Chanel: Os originais

Por tudo que andei lendo sobre a história de Coco Chanel e Igor Stravinsky, o filme tomou a liberdade de mudar alguns acontecimentos, alterar algumas datas, reforçar alguns pontos mais carnais da história e tal, mas nada que digam sobre o que aconteceu entre os dois é mais revelador do que o olhar de Mlle. Chanel em direção ao compositor russo na foto acima.

Começando pela tensa situação da estréia d’A Sagração da Primavera em Paris e terminando com a – perdão pelo óbvio – sagração da mesma peça, a obra se desenrola tratando da influência que teve a convivência de Chanel e Stravinsky na obra do músico e, talvez seja impressão minha, a influência do compostor nas criações da estilista.

O que Jan Kounen entregou na obra é, para esse que vos escreve e não tem a menor base para ser crítico de cinema, uma colagem de momentos em que cada espectador enxerga o que quer.

Mas, hey, pensará você, isso acontece em todo filme; não existem duas pessoas que assistam o mesmo filme da mesma maneira.

É, pode ser, retruco contrariado. Por isso que eu não sou jornalista.

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Etiqueta 101

22 / 07 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema, Frases

Outro bom exercício é tentar tirar uma caixa de Tic Tac do bolso sem deixar as balinhas se mexerem. Se você consegue fazer isso, parabéns e bem vindo ao modo civilizado de ir ao cinema!

Marcelo Janot no CultBlog

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Whatever, Woody

21 / 07 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema, Humor

David as Boris as Woody

Já fazem duas semanas – um pouco mais, um pouco menos – que resolvi dar minha pequena contribuição a sobrevida do Cine Belas Artes e assistir Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works).

Ao contrário de muita gente, genial não é – para mim – sinônimo de Woody Allen. Ele fica acima da média em alguns momentos, fica embaraçosamente mediano em outros e, no final das contas, acaba sendo o que é: um cineasta.

Pensando nos três últimos filmes seus que eu paguei para ver no escuro, não sei se Tudo Pode Dar Certo é melhor, pior ou a mesma coisa que Vicky Cristina Barcelona ou O Sonho de Cassandra.

Ok, não é a mesma coisa. Nenhum dos três filmes tem tantos e tão óbvios pontos em comum para um olhar destreinado como o meu traçar paralelos cinematográficos que façam sentido. Deixo isso para o Zanin ou o Merten mesmo.

Mas, duas semanas depois – um pouco mais, um pouco menos – O Sonho de Cassandra e Vicky Cristina Barcelona não estavam mais no consciente, inconsciente, id e que tais.

Em compensação, hoje, após duas semanas – um pouco mais, um pouco menos – eu ainda canto parabéns duas vezes a cada vez que lavo as mãos.

Pode, sim, ser um simples traço da perenidade de um bom Woody.

Pode ser apenas uma crise de abstinência de Seinfeld projetada no Larry David.

Ainda não sei o que é ou o que pode ser, mas sei que será a segunda chance de Curb Your Enthusiasm na minha lista de pendências em DVD.

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Salve o Belas Artes você também

02 / 07 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema, Jornais, São Paulo

Matéria bacana de hoje no Divirta-se sobre o Belas Artes. Quem sabe ao juntar esse tipo de cobertura, mais iniciativas como o Patrocine o Cinema Belas Artes e a campanha dos restaurantes, algum diretor de marketing de uma grande empresa com dinheiro sobrando entenda o quanto é importante para a cidade (e para um sem-número de paulistanos) a história do Belas Artes.

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Shine A Light

27 / 06 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema, Filmes, Músicas

Eu me contentaria em simplesmente ter feito a foto, não precisaria nem conversar com os cinco…

As vezes é bom demorar um pouco para fazer certas coisas como, por exemplo, assistir Shine a Light. Além de conseguir uma cópia original por R$ 7,99 em um dos saldões da Blockbuster, permite receber o filme com distância dos textos da crítica.

Os textos – ao menos os que eu me lembro de ter lido – não foram muito generosos com Shine a Light e, dois anos depois da sua premiere, fica mais fácil colocar as percepções alheias de lado e assistir o documentário musical (mais preciso seria chamá-lo de musical semi-documental) aberto a suas próprias percepções.

Claro que os críticos não precisavam se render automaticamente ao filme pelo simples fato de ser dirigido por Martin Scorsese, nem por tratar-se dos Rolling Stones (que tem a sua parcela de culpa por já terem lançados caça-níqueis em diversas mídias ao longo de tantos anos de carreira), mas não consigo – com esse distanciamento – me lembrar o que teria desagradado tanto os críticos.

O filme não é nenhuma obra genial, não inova na linguagem dos documentários nem dos shows em DVD mas, ao retratar uma carreira tão longa e com tantos momentos desiguais em poucos recortes de entrevistas das últimas décadas, Scorsese consegue direcionar seu perfeccionismo para o que realmente deveria ser gravado para a obra: um concerto de duas horas mostrando uma banda que chegou mais longe do que o corpo de cada um de seus quatro integrantes poderia sugerir.

Faltam certas músicas – e todas as pessoas dignas de atenção no planeta tem alguma música preferida dos Stones, assim como tem alguma preferida dos Beatles – e sobram cortes de câmeras, mas nenhum desses pontos desmerece a obra.

Como pontos altos da apresentação, é impossível não reparar em dois momentos inversos e complementares: a reverência de Jack White aos quatro Stones em Loving Cup, (do atualmente cultuado Exile on Main St.) e o cover de Champagne & Reefer com Buddy Guy, e nesse momento quem reverencia o bluesman são os Stones.

Ainda sobra qualidade para Sympathy For The Devil – que é boa até quando tocada em MIDI – e as duas interpretações de Keith Richards; até a participação de Cristina Aguilera -  que tem uma voz fantástica, mas não aproveita para o que deveria – aparece correta dentro da obra.

Conclusão? Vale a compra, vale as duas horas de áudio bem gravado, vale bem mais do que os R$ 7,99.

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Tron

24 / 06 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema, Ilustrações

Um agradinho artístico para quem também está esperando a continuação do Tron chegar aos cinemas.

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Ninho Vazio

28 / 05 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema, TV por Assinatura, Televisão

Assistir Ninho Vazio serviu, de início, para confirmar uma opinião: Porteños fazem cinema infinitamente melhor que brasileiros.

Não, essa minha opinião não é nova e já foi mencionada por aqui. Mas não tem como não sentir-se obrigado a afirmar e reafirmar a superioridade artística das películas argentinas. Até quando não é um vencedor de Oscar e sim um filme mediano, as diferenças – à favor deles – são assustadoras.

As únicas caras conhecidas da obra – ao menos para um não especialista em cinema como eu – são Inés Efron, do ótimo XXY, e Cecília Roth, famosa por esses lados do Rio da Prata, entre outros, por Epitáfios. E isso contribui bastante para o resultado final do filme.

Ver aquele curto desfile de caras comuns, numa história comum, talvez seja o principal motivo para encarar o filme como uma história banal. Não dá para acreditar em uma história de um casal qualquer quando as duas caras estampadas na tela estão diariamente na sua TV nas novelas e propagandas.

Apesar das escapadas para o excessivamente imaginativo – como a cena da escada rolante e as coreografias dentro do shopping – a história é banal. E isso é ótimo para ela.

As cenas discretas de olhares trocados, a ausência de uma trilha sonora marcante, a transição inesperada entre Argentina e Israel, a relação desenvolvida entre as personagens principais e seus interesses afetivos, tudo colabora para pouco mais de uma hora e meia de bom entretenimento.

Aproveita esse Telecine Cult dando sopa na sua TV e vai atrás de uma das exibições. Vale muito mais que parar num AXN e re-ver outro crime ser solucionado.

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PURRfect Kittens

23 / 05 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema

Onde você estava nos anos 70 que não assistiu essa jóia do softcore?

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Movies R Fun

20 / 05 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema, Quadrinhos

Josh Cooley é um desconhecido que, provavelmente, já passou pela tela da sua casa: O artista trabalha para a Pixar, onde passou pelas produções de Up, Carros, Ratatouille e outros.

Agora ele empresta seus traços para a “livre reintrepretação” de famosas cenas do cinema, como O Poderoso Chefão, O Exterminador do Futuro, O Profissional, Seven e 2001 – Uma Odisséia no Espaço:

Agora – na verdade no fim do ano – essas belezas gráficas serão lançadas em livro durante a Comic Con, nos EUA. O livro, Movies R Fun (com uma gag na capa com relação ao rating system hollywoodiano) demorou dois anos para ficar pronto e deve trazer dezenas de ilustrações desses famosos shots cinematográficos.

Difícil vai ser resistir ao desejo de arrancar as páginas e transormar as ilustrações em dezenas de quadros pela casa. Tão difícil quanto encontrar alguém disposto a publicar a obra no Brasil. Lá vamos nós, de novo, prá Amazon.

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The Black Cat

16 / 05 / 2010 Publicado por Cidadão Entretido em Cinema

A única resalva que pode ser feita a The Black Cat é o fato do filme ter esse nome e se promover como baseado em uma história de Edgar Allan Poe. Qualquer pessoa que assista o filme e leia o livro percebe que são obras diferentes, histórias diferentes, intenções diferentes. Mas isso não desmerece em nada a obra cinematográfica.

Primeiro dos vários filmes em que as duas maiores estrelas do terror da época – Boris Karloff e Bela Lugosi – contracenam, poderia ser considerado, hoje em dia, um episódio de seriado: Uma boa história, contada inteira em rápidos 65 minutos.

A história é de uma simplicidade que faz todo o sentido quando se leva em conta a sua época: Em 1943, a Universal estava no meio do que ficou conhecido como Universal Horror, uma série de filmes de terror/horror que atraiam enormes platéias aos cinemas desde os anos 1920. Capitalista como todas, a Universal produzia horror atrás de horror, ainda que com roteiros primários, para aproveitar a ânsia de consumo das platéias pelo tema.

(Lembra de alguma coisa recente? A infinidade de vampiros que todas as editoras, todos os estúdios, todos os canais enfiaram atrás de Crepúsculo? Ou a infinidade de séries de investigação? Ou a quantidade absurda de bandas tocando alguma variação – if any – de emo qualquer coisa? A fórmula funciona desde os anos 20: O primeiro deu certo? Aproveita o embalo e lucra.)

Cartaz de The Black Cat, filme de 1943

Salvo engano, é o primeiro filme em que Bela Lugosi não é o vilão. Embora atormentado em busca de vingança e realmente assustador, ele é – por falta de melhor definição – o mocinho do filme.

Quase todas as cenas acontecem dentro da casa em que vive o arquiteto satanista interpretado por Karloff, e é a arquitetura da casa, ao lado de Lugosi e Karloff, uma das melhores partes do filme. Olhada hoje, ela parece datada, é claro, mas as linhas retas, as portas deslizantes, o metal e o vidro por todos os lados, já apontavam para aquilo que seria a “visão do futuro” de Hollywood em filmes que viriam muito tempo depois.


O gran finale do filme é um dos 100 momentos mais assustadores do cinema de horror eleitos pelo canal Bravo.

Apesar de um ou outro deslize no roteiro, da atuação que parece afetada e dos diálogos improváveis – quando olhados com a perspectiva e o distanciamento de sessenta anos e essa nossa busca pelo natural, real, isento e chato, bem entendido – é uma obra que ajuda a entender um pouco mais os caminhos do cinema da metade do século XX.

Vale como iniciação àqueles que nunca tiveram fases Lugosi ou Karloff, vale como exemplo de um certo expressionismo cinematográfico e arquitetônico, vale como entretenimento para mentes que não buscam explosões e vampiros e vale, sobretudo, como programa para sábados à noite – dia e hora certos para um clássico do horror.

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