Depois de ter perdido a passagem de Andy Warhol por São Paulo, minha vontade era chegar na Caixa Cultural no primeiro dia da exposição do Keith Haring. Ok, não deu, mas segunda semana é bem aceitável.
Keith Haring – sobre quem você pode ler aqui e aqui, não preciso ficar resumindo a vida e a obra do cara como se entendesse horrores de arte – é figura carimbada na mente de qualquer ser humano que passou da casa dos 30 anos.
Eu, por exemplo, não consigo separar as obras dele das ilustrações que apareciam nas Playboys do início dos anos 90 (não faça as contas, eu era menor, mas VOCÊ também – hã-ham – folheou Playboys antes da idade, aposto. A menos que seja uma menina. E mesmo assim…), das pouquíssimas revistas importadas que conseguiam chegar ao Tatuapé e de fitas de vídeos – raras fitas de vídeo – com videoclipes antes da MTV ser acessível.
Keith Haring lembra o Moving Sound da Philips, meu primeiro walkman (ok, walkman é Sony mas você entende o conceito…), lembra aberturas modernas dos programas de TV dos anos 80 e 90, lembra o que de melhor e pior existiu nessa época nebulosa entre… digamos 87 e 94.
Pop até o talo, é o melhor da arte porque complementou Warhol, entendeu o que uma banana fazia na capa de um disco e elevou isso à enésima potencia.
Pop além da conta, é o pior da arte porque, sejamos sinceros, mesmo sem aulas de história da arte em qualquer que tenha sido a sua formação, não é muito difícil perceber a inúmera quantidade de limitações que esses traços apresentam.
Na mostra da Caixa Cultural, pequena com seus, sei lá, trinta quadros, a sensação é de que Keith teve seu espaço por ser o cara certo na hora certa – e quem disse isso foi o Nathan Lee no NYT, não me acuse se plágio (embora muitos devam ter essa mesma sensação de right person in the right place sobre ele) – e se aproveitou muito bem dessa coincidência.
Numa época em que o mundo queria se apoderar da arte (no sentido de ter, possuir, comprar, não de controlar a sua distribuição) e antes de todos se julgarem artistas como hoje, criar a Pop Shop, aplicar seus traços de tênis a veículos e influenciar todas as áreas da comunicação, artes e afins não é pouca coisa.
Keith Haring conseguiu com seus traços simples e cores fortes criar uma identidade tão única com algo tão básico que disputa, na minha lista, cabeça com cabeça, o posto de Keith mais importante do mundo pop. E só perde para o Richards porque, sejamos honestos, o Stone tinha tudo prá ter morrido muito tempo antes do artista plástico e veja só onde ele está hoje…

´Cause we all have issues.




