Mas quando Lula fala, elite é sempre sinônimo de malvado e injusto, de inútil e explorador,de odiar os pobres e gostar de ver o povo passar fome. De maior inimiga da democracia.
Que elite é essa? Não é a dos charutos e vinhos, das madames consumistas e filhos playboys,carros importados e amigos picaretas, dos coronéis rurais e urbanos, dos veteranos mamadores nas tetas do Estado. Esta está com Lula, o obedece no Congresso, financia suas campanhas, apoia seus programas econômicos e sociais. Seria até indelicado reclamar.
As vezes me dá preguiça de escrever só por conta disso: Existem pessoas que sintetizam, resumem, editam, escrevem, revisam e publicam muito melhor do que eu seria capaz de fazer…
A verdade é que os números recentes de nossa economia e de nossa trágica condição social estão muito longe da farsa edulcorada pela propaganda que move este governo.
O crescente endividamento das famílias, nosso perigoso déficit em conta corrente, o intermitente custo-Brasil estrangulando nossa capacidade competitiva é o verdadeiro legado que nos deixará o atual governo.
Mas tudo bem, né? “O Cara” é tão simpático, tão amistoso com o Irã, a Venezuela e Cuba que a gente releva essas coisas. E, se descuidar, ainda vota na Dilma, porque importante mesmo é o continuísmo.
Ainda que seja o constinuísmo da desgraça, porque ao menos a gente já conhece e vive na desgraça e – sejamos sinceros – ninguém gosta de mudança, é complicado se adaptar ao novo.
O governo Lula, secundado pelo professor Luciano Coutinho, está repetindo agora o que fizeram os governos militares. Eles sustentaram uma enorme carga de investimentos internos com aumento da dívida externa, que, coincidentemente, também tinha ativos equivalentes no outro prato da balança. Não obstante esses cuidados contábeis, deu no que deu…
50% feliz porque o governo do moço está para acabar.
50% preocupado com quem serão os novos presidentes do BNDES, do BC, o novo chanceler…
Ainda que seja muito difícil ser pior do que o Celso Amorim no caso do Ministério das Relações Exteriores, nunca é demais duvidar dos “méritos” que levam as pessoas aos altos postos da administração pública.
O PT é assim: bate como gente grande, mas quer ser tratado com carinhos reservados aos pequenos.
Quando apanha, se diz vítima da injustiça, do preconceito, do udenismo, do conservadorismo, do moralismo, dos conspiradores, dos golpistas, das elites e de quem ou do que mais se prestar ao papel de algoz na representação do bem contra o mal, do fraco contra o forte que o partido encena há anos.
Sempre no papel de mocinho, evidentemente, embora desde que assumiu o poder tenha mostrado especial predileção pela parte do roteiro que cabe ao bandido.
Luiz Inácio da Silva é mestre nessa arte, exercitada ao longo de quatro candidaturas presidenciais e muito aprimorada nestes quase oito anos de Presidência da República.
Eu bem que gostaria de ter esse poder de resumir e explicar as coisas, mas faz sentido que não tenha, já que ela ganha apara isso e eu sou um mero leitor.
Está na cartilha dos autocratas populistas: se escasseia o pão, amplie-se o circo. Com a economia do seu país em frangalhos e o espectro de uma acirrada eleição legislativa em setembro, o protoditador venezuelano Hugo Chávez faz o que pode ? e o que não poderia fazer se tivesse um mínimo de bom senso e autocrítica ? para desviar as atenções de seus desafortunados concidadãos da crise que o seu “socialismo do século 21″ fez desabar sobre a economia, com reflexos devastadores para o nível de emprego e a inflação.
“Em vez de inventar desculpas – assimetrias, déficit estrutural, desequilíbrio comercial – para justificar o crescente distanciamento entre os dois países, ressaltei, de forma cândida, as vantagens para a Argentina de uma relação política e comercial aberta, sem ressentimentos nem restrições com o Brasil. Referindo-me à recente declaração da presidente Cristina Kirchner de que a Argentina quer ser sócia, mesmo menor, do Brasil, concluí, para perplexidade geral, que a Argentina apenas teria de resolver o que prefere ser em relação ao Brasil: se um México ou um Canadá.”
Na verdade, nem prá ser our own private Mexico (B-52’s reference intended) a Argentina serve. O México deu origem a Femsa, teve por décadas muitas das fábricas americanas como Kodak, Duracell e afins, produz tequilas das melhores.
E a Argentina quando muito consegue um tanto de vinhos e carne. E conseguem tem um presidente pior que o nosso – e olha que isso é páreo duro.
Em reunião mantida ontem com diretores de jornais, rádios e televisões, o general Manoel Carvalho de Rodrigues Lisboa, comandante do segundo exército, referiu-se ao que qualificou de incidente com o jornal “O Estado de S. Paulo”, cuja edição – e a do “Jornal da Tarde” – foram parcialmente apreendidas na madrugada e na tarde de ontem, por agentes da Polícia Federal.
O Estado de S. Paulo
Sábado, 14 de dezembro de 1968
Aconteceu em 1968, mas não soaria estranho acontecer hoje em dia. Se os amigos do Lula, do Sarney, do Collor, do Renan e afins conseguem censurar um jornal como o nosso, – sim, falo isso com a propriedade de quem trabalha lá e tem um puta orgulho da instituição que paga meu salário e do que ela já fez e faz pela democracia – logo logo param as rotativas, param as transmissões de rádio e TV.
A Plebe Rude, lá nos anos oitenta, já disse com propriedade: Oposição reprimida, radicais calados, (…) Tudo para manter a boa imagem do estado.