Primeiro você precisa ler uns quadrinhos. Depois ver isso.
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Sexo, drogas, baleias, orientais e violência. Em quadrinhos.
Já faz mais de um mês que eu estou com a minha edição da Cachalote me esperando e até agora nada.
Depois desse trailer-teaser-still-animado-whatever, não vai durar mais muito tempo sem ser lida.
The Great Comics Cliches
Prá acalmar a minha ansiedade até a chegada da Vertigo #7.
Movies R Fun
Josh Cooley é um desconhecido que, provavelmente, já passou pela tela da sua casa: O artista trabalha para a Pixar, onde passou pelas produções de Up, Carros, Ratatouille e outros.
Agora ele empresta seus traços para a “livre reintrepretação” de famosas cenas do cinema, como O Poderoso Chefão, O Exterminador do Futuro, O Profissional, Seven e 2001 – Uma Odisséia no Espaço:
Agora – na verdade no fim do ano – essas belezas gráficas serão lançadas em livro durante a Comic Con, nos EUA. O livro, Movies R Fun (com uma gag na capa com relação ao rating system hollywoodiano) demorou dois anos para ficar pronto e deve trazer dezenas de ilustrações desses famosos shots cinematográficos.
Difícil vai ser resistir ao desejo de arrancar as páginas e transormar as ilustrações em dezenas de quadros pela casa. Tão difícil quanto encontrar alguém disposto a publicar a obra no Brasil. Lá vamos nós, de novo, prá Amazon.
A Mocinha Atômica
Durante toda a infância, eu apresentei uma série de compulsões. Balas coloridas que eu gostava de comer por ordem de cor, por exemplo. E me cercar de copos e talheres na mesa, na hora de jantar, era quase obrigatório. Mas o mais compulsivo dos meus comportamentos, eu assumo, era a leitura.
Eu lia muito. Lia horrores. Lia de tudo. E me surpreende cada vez mais a quantidade de vezes que alguma notícia ou uma conversa sem muito propósito despertam memórias que foram criadas por essas leituras.
Essa manhã, por exemplo, ao abrir o Caderno 2 e dar de cara com uma pequena nota da morte de Peter O’Donnell, a reação foi automática. Ao ler sobre o nome da mais conhecida personagem de sua criação, Modesty Blaise, eu pensei “A mocinha atômica”.
Isso não faz sentido? Então é porque quadrinhos de espionagem talvez não sejam parte de sua criação. Por algum motivo, em algum manual Disney da minha infância, estava escrito “Modesty Blaise, a mocinha atômica”, e isso ficou guardado lá no fundo da memória até hoje pela manhã.
O nome completo da série não é esse. E uma busca no Google, que obviamente eu fiz, mostra que a referência de mocinha atômica não é constante. E ainda assim era desse jeito que ela estava na minha cabeça.
Modesty Blaise, a heroína sensual e arrasadora de Peter O’Donnell nos traços de Eric Romero.
Não sou especialista em quadrinhos, menos ainda em Modesty Blaise. Mas achei digno de nota agradecer enormemente a inexistência da internet naquela época. Se não fosse por isso, enormes partes da minha cultura pop inútil – que justificam esse site, por exemplo – não existiriam.
E não, eu não acredito que esse acesso fácil, essa hiperconectividade e afins sejam páreo para um livro, a imaginação e a memória de uma criança. Tivemos uma sorte enorme de pegar a fase certa dessa revolução…
O Pequeno Livro do Rock
Se existisse uma única obra que fizesse qualquer pessoa entender os caminhos do rock, com certeza essa não é O Pequeno Livro do Rock.
Agora, se pensarmos em uma única obra na categoria artístico-quadrinística-literária que explicasse esses mesmos caminhos, nada seria mais indicado que O Pequeno Livro do Rock.
O primeiro – e mais lindo – motivo são as ilustrações. No mínimo oitenta camisetas poderiam ser criadas à partir dos desenhos de Hervé Bourhis.
O segundo motivo é geográfico. Como a obra veio da cabeça e das mãos de um autor francês, não somos forçados a ver, pela centésima vez, a visão estadunidense de rock and roll.
Acima, a interpretção do autor para Rolling Stones e Tom Jones, entre outros.
É claro que existe uma boa dose de referências francesas, mas nada que prejudique a obra: Além de Elvis e Serge Gainsbourg, Nirvana e Nouvelle Vague, Pixies e Noir Désir, também estão lá Kraftwerk e Mutantes, por exemplo.
Até que se pode imaginar os pais do synth pop em qualquer outra obra sobre a música moderna, mas e Os Mutantes?
E as referências eurocêntricas, como o concurso Eurovision, estariam presentes em um livro escrito na parte de cima de nosso continente? Provavelmente não. Seriamos apresentados a algum Americam Idol qualquer, e isso é muito menos interessante do que uma banda de death-trash-metal se apresentando em um concurso de bandas pop européias.
Até a tradução, que costuma ser o ponto fraco de muitas edições nacionais de livros tão específicos, no caso d’O Pequeno Livro do Rock joga à favor da obra.
Esgotado no site da editora, a obra merece uma segunda edição urgente. E a Conrad merece parabéns por trazer esse livro para as estantes brasileiras. Que venham mais obras musicais, mais obras francesas, mas quadrinhos. A geração 80 – e várias outras – agradecem.
Glauco
Agora que já faz um tempo desde que o assassinato do Glauco acabou com uma carreira bem bacana, achei um dos milhares de tributos que os cartunistas brasileiros fizeram.
O Angeli fez um mais soturno, talvez pelo contato próximo que tinha à la Tres Amigos. Mas esse do Moon está genial. Acho que o espírito artístico-anárquico do Glauco iria curtir muito esses seis quadrinhos.



´Cause we all have issues.





