Dificilmente você vai ter a chance de conhecer alguém que acorde pela manhã – mais cedo do que de costume (umas duas horas mais cedo) – e fique de bom humor em menos de cinco minutos.
Simplesmente porque ninguém é assim. Isso pode acontecer uma vez mas não é possível ser SEMPRE assim. Não é possível porque acordar cedo é um saco. Não é possível porque sair da rotina nos incomoda. Não é possível.
Mas, raras vezes acontece de você ficar quase instantaneamente de bom humor. Entenda, você não é assim ao madrugar, esse não é seu padrão. Mas nesse dia você é o tal ponto fora da curva.
Esta quinta-feira provou o quanto isso é possível.

Pegar seu jornal – e eu não tenho a menor isenção para falar do prazer vintage que ainda sinto em pegar o jornal na porta de casa – e dar de cara com uma página dessas é a prova de que tudo – tudo – vai ficar bem.
Você levantou cedo, quer sair correndo mas… Dá de cara com essa diagramação espetacular (de novo, entenda que não sou isento no assunto) o texto digno das boas agências de publicidade, com o nível exato da prepotência e arrogância que você aprecia – e que sabe que emana de tal suplemento – e, ainda que apressado, para um segundo e joga tudo pro alto, ferve seu leite, passa seu café e saboreia meia xícara dessa combinação celestial que é um pingado.
Dá prá perceber o quanto isso vai ser impossível nessa vida binária que a gente está buscando tão freneticamente?
Desde o jornal, que um dia vai parar de chegar a sua porta, passando pelo leite – esquentado no microondas, não mais fervido – e chegando ao café bege-sem-graça da cafeteira elétrica, tudo caminha para o botão, o chato, o padrão.
Não, não quero que você entenda a graça que é passar seu café ou a sensação de sentir o papel virando entre seus dedos. Ou você tem esse tesão dentro de você ou não o tem, não dá para explicar.
Um brinde, com um bom pingado de coador, aos prazeres analógicos que cada vez menos pessoas mantém. A todos nós.